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Reféns da manipulação: Como criminosos usam ‘hipnose emocional’ para aplicar golpes bancários

A evolução da cibercriminalidade no Brasil ganhou traços cada vez mais psicológicos e personalizados. Com abordagens elaboradas para manipular emoções, os golpes de engenharia social continuam fazendo milhares de vítimas e ampliando os prejuízos financeiros da população. Segundo dados do Santander referentes ao primeiro semestre de 2026, as fraudes envolvendo sites falsos, WhatsApp e redes sociais lideram o ranking de contestações feitas por clientes da instituição.

A estratégia dos criminosos consiste em explorar os próprios canais oficiais de relacionamento para gerar confiança. Golpistas se passam por gerentes bancários em mensagens privadas ou replicam fielmente ofertas e interfaces da instituição em páginas fraudulentas, induzindo transferências e o fornecimento de dados confidenciais.

Segundo Leandro Granja, CISO (Diretor de Segurança da Informação) do Santander, o maior desafio atual da biossegurança e defesa digital é intervir no momento em que a vítima está sob forte apelo emocional.

“O Santander passou a atuar no momento exato da decisão do cliente, com alertas preventivos durante transações sensíveis e mecanismos adicionais de confirmação. É uma forma de tirar o cliente dessa ‘hipnose’ e evitar que o golpe se concretize”, explica Granja.

A evolução da falsa central

Outro destaque do levantamento foi o golpe da falsa central, que assumiu novas táticas no último período. Criminosos passaram a contatar correntistas via WhatsApp simulando procedimentos de “prova de vida”, bloqueios do ID Santander ou validações de segurança para aumentar a taxa de sucesso da fraude.

De acordo com o executivo, o crime organizado combinou o uso de vazamentos de dados pessoais com a simulação perfeita de atendimento legítimo, exigindo respostas tecnológicas em tempo real. O banco utiliza inteligência artificial no combate a fraudes há quase 30 anos, evoluindo de modelos analíticos nos anos 2000 para um ecossistema integrado que reúne machine learning, biometria comportamental, análise de transações instantâneas e verificação de dispositivos 24 horas por dia.

O ranking dos golpes no 1º semestre de 2026

  1. Site Falso: Criação de domínios clonados de bancos e e-commerces.
  2. WhatsApp: Perfil falso usando foto de familiares exigindo Pix urgente.
  3. Redes Sociais: Invasão de perfis para oferta de anúncios com preços irrisórios e links patrocinados falsos.
  4. Falso Investimento: Promessas de rentabilidade fora da realidade do mercado por supostos corretores.
  5. Falsa Central: Ligações e mensagens simulando o SAC ou setor de segurança do banco.

Guia de Proteção: Como não cair nas principais armadilhas

Tipo de GolpeComo FuncionaPrincipal Recomendação de Segurança
Site FalsoPáginas clonadas que imitam marcas conhecidas e bancos para roubar credenciais.Verifique a URL do navegador e o selo de segurança (cadeado). Evite clicar em links externos.
WhatsAppGolpistas usam foto de conhecidos alegando emergência e troca de número.Ligue para a pessoa (via chamada telefônica comum) antes de fazer qualquer transferência Pix.
Redes SociaisAnúncios patrocinados com descontos irreais ou perfis invadidos prometendo ganhos.Ative a autenticação em duas etapas na rede social e confirme ofertas nos sites oficiais.
Falso InvestimentoPropostas de lucro rápido apresentadas por supostos gerentes ou corretores.Desconfie de rentabilidade garantida e consulte o cadastro do agente na CVM.
Falsa CentralChamadas informando sobre “compras suspeitas” para induzir transferências de cancelamento.Lembre-se: o banco nunca liga solicitando senhas, códigos ID ou transferências de estorno.

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