A Prefeitura de Macapá confirmou, nesta terça-feira (7), a realização de pagamentos que somam quase R$ 3,5 milhões efetuados poucas horas após o afastamento do prefeito Antônio Furlan, do vice Mário Neto e da secretária de Saúde Érica Aymoré, por determinação do Supremo Tribunal Federal.
De acordo com documentos oficiais já encaminhados à Polícia Federal, os pagamentos ocorreram entre 12h e 15h do dia 4 de março — um intervalo considerado crítico, imediatamente após a operação que resultou no afastamento das autoridades municipais.
Segundo a apuração, os valores foram liberados de forma remota e destinados a pelo menos duas empresas. O contexto chamou atenção das autoridades: no mesmo dia, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em cerca de 13 endereços, incluindo residências de investigados e prédios administrativos da prefeitura. Com a ação policial, diversos secretários municipais deixaram seus postos, o que teria esvaziado repartições públicas.
A coincidência entre o afastamento determinado pelo STF e a execução dos pagamentos acendeu alerta nos órgãos de controle. A principal suspeita é de que os repasses tenham sido realizados fora dos padrões da legalidade administrativa, possivelmente com o objetivo de antecipar transferências financeiras antes da perda de controle da gestão.
O porta-voz do Gabinete de Emergência, Renivaldo Costa, informou que todo o material já está sob análise. “Todos os registros foram enviados à Polícia Federal, que vai atestar a regularidade ou não desses pagamentos”, declarou.
O caso integra um conjunto mais amplo de investigações que apuram possíveis desvios de recursos públicos e irregularidades administrativas no município. A expectativa é que a perícia técnica identifique os responsáveis pelas autorizações e eventuais beneficiários indevidos dos valores liberados.

















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