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Deolane Bezerra é presa em operação que apura lavagem de dinheiro para o PCC

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21), em Alphaville, na Grande São Paulo, durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Batizada de Operação Vérnix, a ação cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão contra investigados apontados como integrantes ou operadores financeiros da facção criminosa. Entre os alvos estão Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado como líder máximo do PCC, além do irmão dele, Alejandro Camacho, e dos sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.

Segundo as investigações, o grupo utilizaria empresas e terceiros para ocultar patrimônio e movimentar recursos atribuídos à facção criminosa. Uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista, teria sido usada para lavar dinheiro da família de Marcola.

Também foi preso Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado pela polícia como operador financeiro do esquema. De acordo com os investigadores, ele aparecia em mensagens interceptadas orientando transferências de valores e indicando contas utilizadas nas movimentações suspeitas.

As apurações indicam que Deolane Bezerra recebeu depósitos considerados suspeitos entre os anos de 2018 e 2021. A análise financeira identificou dezenas de transferências fracionadas destinadas às contas da influenciadora, incluindo repasses que, somados, chegaram perto de R$ 700 mil.

Parte do dinheiro teria sido enviada por um homem da Bahia que recebe salário mínimo e é suspeito de atuar como “laranja” no esquema investigado. Conforme o Ministério Público, os valores recebidos não teriam sido declarados formalmente.

A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 27 milhões em contas ligadas à influenciadora. Além disso, foram apreendidos 39 veículos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões. No total, os bloqueios patrimoniais determinados pela Justiça ultrapassam R$ 357 milhões.

Deolane havia passado as últimas semanas em Roma, na Itália, e retornou ao Brasil nessa quarta-feira (20). Durante o andamento das investigações, o nome dela chegou a ser inserido na lista de Difusão Vermelha da Interpol.

Mandados de busca também foram cumpridos em imóveis ligados à influenciadora em Barueri, além de outros endereços relacionados aos investigados. Um influenciador digital considerado filho de criação de Deolane e um contador também foram alvos da operação.

As investigações tiveram início em 2019, após a apreensão de manuscritos e bilhetes encontrados com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Segundo os investigadores, o material revelava ordens internas da facção, movimentações financeiras e conexões entre integrantes do alto escalão do PCC.

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