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Justiça marca audiência de ação que investiga elo entre facção e aliados políticos de Furlan

A Justiça Eleitoral do Amapá marcou para o dia 19 de junho de 2026, às 9h30, a audiência de instrução da Ação Penal Eleitoral Nº 0600078-09.2024.6.03.0002, processo originado da Operação Herodes que apura a suposta ligação entre integrantes da facção Família Terror do Amapá (FTA), articulações políticas e pessoas ligadas à gestão do ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan.

A audiência ocorrerá em formato híbrido e deverá ouvir testemunhas, além de interrogar os réus Luanderson de Oliveira Alves, conhecido como “Caçula”, Rosemiro de Carvalho Freitas, o “Bira”, e Jesaias Silva e Silva, chamado de “Jesa”, ex-subsecretário municipal de Zeladoria Urbana de Macapá.

O processo tramita na 2ª Zona Eleitoral de Macapá, sob condução da juíza eleitoral Stella Simonne Ramos. A ação reúne acusações de organização criminosa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção eleitoral e coação de eleitores.

Investigação aponta uso de facção para ampliar influência política

Segundo denúncia do Ministério Público Eleitoral, o grupo investigado teria utilizado a estrutura da facção FTA para ampliar influência política durante o período das eleições municipais de 2024 em Macapá.

A decisão judicial cita laudos periciais, relatórios de inteligência policial e interceptações telefônicas obtidas durante a Operação Herodes. Conforme o documento, os investigados teriam atuado de maneira articulada para pressionar moradores, prometer vantagens e fortalecer domínio político em áreas estratégicas da capital.

Entre os pontos considerados mais sensíveis da investigação estão diálogos atribuídos a Luanderson “Caçula”, apontado como uma das lideranças da facção. Em conversas interceptadas, segundo os autos, ele afirmaria ter recebido incentivo político para ingressar na disputa eleitoral.

As investigações também apontam discussões sobre mobilização de apoiadores em bairros como Infraero, Pacoval, Jardim Felicidade e no Residencial Macapaba, regiões consideradas estratégicas para o grupo investigado.

Caçula foi candidato a vereador nas eleições municipais de 2024 e aparecia como aliado político do então prefeito Antônio Furlan durante o período investigado pela Polícia Federal. 

Ex-subsecretário da gestão Furlan segue no núcleo investigado

A permanência de Jesaias Silva e Silva no processo é apontada como um dos aspectos mais delicados da ação. Ele ocupava o cargo de subsecretário municipal de Zeladoria Urbana durante a gestão Furlan quando foi alvo da operação da Polícia Federal.

De acordo com a decisão judicial, Jesaias aparece em diálogos envolvendo integrantes do grupo investigado. Trechos das investigações citam conversas relacionadas a demandas pessoais de membros da facção e interesses ligados à estrutura da administração municipal.

Outro ponto destacado pelos investigadores envolve contratos relacionados à Prefeitura de Macapá, incluindo menções ao aluguel de um imóvel pertencente a Luanderson para funcionamento de uma creche municipal, fato citado anteriormente nos desdobramentos da Operação Herodes.

“Como o Furlan falou: ‘já tá na hora, Caçula, tá mais do que na hora pra tu entrar pro meio de campo’”, diz um dos diálogos reproduzidos na decisão judicial. 

Justiça mantém caso na esfera eleitoral

As defesas dos réus tentaram retirar o processo da Justiça Eleitoral sob argumento de ausência de conexão entre os crimes comuns e os crimes eleitorais. O pedido foi rejeitado.

Na decisão, a magistrada afirmou haver “conexão instrumental e probatória” entre os delitos investigados. Segundo o Ministério Público Eleitoral, os crimes de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro teriam servido como suporte financeiro para campanhas políticas, enquanto o poder de intimidação da facção teria sido utilizado para coagir eleitores.

A decisão também menciona denúncias de que moradores do Residencial Macapaba teriam sido pressionados a apoiar candidatos ligados ao grupo investigado sob ameaça de expulsão dos apartamentos onde residem.

Audiência pode aprofundar investigação

A audiência marcada para junho será a primeira grande fase de oitivas da ação penal e poderá aprofundar o entendimento da Justiça sobre o alcance político da organização investigada.

Até o momento, a Operação Herodes já resultou em prisões, apreensões, monitoramento eletrônico e denúncias envolvendo aliados políticos, candidatos e pessoas ligadas à administração municipal de Macapá.

Operação Herodes

Deflagrada pela Polícia Federal, a Operação Herodes investiga uma suposta estrutura criminosa que, segundo os investigadores, misturava atuação de facção criminosa, influência política e intimidação de eleitores em áreas populares de Macapá.

Entre os alvos estavam candidatos ligados ao grupo político de Furlan, lideranças apontadas como integrantes da FTA e servidores com passagem pela administração municipal.

A investigação ganhou força após interceptações telefônicas, relatórios de inteligência e denúncias envolvendo o Residencial Macapaba. Segundo a apuração, o grupo utilizaria o domínio territorial da facção para pressionar moradores, controlar apoio político e ampliar influência dentro da estrutura pública municipal.

Com a audiência de instrução marcada, o caso entra agora em uma nova etapa, em que testemunhas, investigados e provas serão confrontados diretamente perante a Justiça Eleitoral.

Fonte: www.debubuia.com.br

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