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O ministro Fachin deve decidir se envia ao plenário do STF relatório da PF sobre Alexandre de Moraes

O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta um momento decisivo em sua história recente. Com a divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) que aponta 187 interações entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a decisão sobre o futuro do caso está nas mãos do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, que deverá definir se a matéria será levada ao plenário.

O relator do processo, ministro André Mendonça, defende abertamente que o tema seja julgado pelo colegiado “de forma pública e transparente, em sessão presencial”. Pelo Regimento Interno do STF, cabe exclusivamente ao plenário processar e julgar seus próprios magistrados.

Divergência com a PGR e caminhos processuais

A eventual abertura de uma investigação contra Moraes esbarra em um forte embate jurídico e institucional:

  • Posição da PGR: O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se pela nulidade do relatório. Gonet argumenta que Mendonça não tinha prerrogativa para solicitar a perícia à PF sem prévia autorização do plenário, sabendo do envolvimento de autoridades com foro privilegiado.
  • Precedente de atuação: Embora o apoio da PGR seja o caminho praxe para investigações, o STF já abriu inquéritos à revelia do órgão ministerial, como ocorreu no Inquérito das Fake News após pedido de arquivamento da então PGR Raquel Dodge.
  • Cenário no Senado: Outra via seria o avanço de um pedido de impeachment. Contudo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou que não dará andamento a ações desse tipo, preferindo aguardar os desdobramentos internos na Suprema Corte.

Caso um inquérito seja formalizado, será a primeira vez na história do STF que um ministro em exercício se torna alvo oficial de uma investigação policial.

Conteúdo do relatório e o caso Toffoli

O documento da PF resultou da perícia e descriptografia do celular de Daniel Vorcaro. Entre os achados destacados pela perícia estão:

  • Interações e tratativas: Registro de 187 conversas citando possíveis encontros presenciais, eventos no exterior e menções pedindo a atuação de autoridades.
  • Contrato sob análise: A confirmação de que Moraes acessou e editou a versão final de um contrato de R$ 131,2 milhões entre o Banco Master e o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes. A assessoria do escritório informou que a consulta buscou apenas verificar eventuais impedimentos legais via setor de compliance.

O episódio reitera tensões semelhantes vividas pela Corte em fevereiro, quando o ministro Dias Toffoli também teve seu nome citado em relatórios da PF envolvendo o mesmo banqueiro. Na ocasião, após reunião a portas fechadas entre os ministros, a arguição de suspeição foi arquivada com base no Código de Processo Penal e no Regimento Interno do STF. Agora, cabe a Fachin ditar os próximos passos da crise atual.

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