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STF debate atuação da CVM em audiência pública e analisa limites da taxa de fiscalização

O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou, na tarde desta segunda-feira (4), uma audiência pública para discutir a atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com foco na arrecadação de taxas, capacidade de fiscalização e eficiência do órgão regulador do mercado de capitais.

A sessão foi convocada pelo ministro Flávio Dino, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7791, e contou com a participação do presidente da Corte, Edson Fachin, além do decano Gilmar Mendes. Durante a abertura, os ministros destacaram a relevância do tema e o papel das audiências públicas na construção de decisões mais amplas e fundamentadas.

Ao iniciar os trabalhos, Dino ressaltou que o debate vai além da questão tributária, envolvendo diretamente a estrutura e o funcionamento do mercado financeiro. Segundo ele, há indícios de limitações na atuação da CVM, como morosidade em decisões e necessidade de maior articulação institucional. O ministro também alertou para riscos sistêmicos, destacando que falhas regulatórias podem abrir espaço para práticas ilícitas no mercado de capitais.

O presidente do STF, Edson Fachin, enfatizou o caráter constitucional da discussão, especialmente no que diz respeito aos limites do poder de tributar e à relação entre arrecadação estatal e a prestação de serviços à sociedade. Ele destacou ainda que as audiências públicas ampliam o processo decisório ao incorporar contribuições técnicas e sociais que vão além dos autos processuais.

Já Gilmar Mendes apontou que o debate envolve uma área estratégica para o Estado brasileiro: a capacidade de regular, fiscalizar e punir irregularidades no sistema financeiro. Para o ministro, é fundamental fortalecer a atuação da CVM e do Banco Central, eliminando lacunas que possam ser exploradas para fraudes, especialmente por meio de instrumentos como fundos de investimento.

A audiência reúne especialistas, representantes de órgãos públicos, entidades técnicas e integrantes da sociedade civil, que apresentam contribuições ao longo do dia. O objetivo é subsidiar o STF com informações qualificadas para o julgamento da ADI 7791.

A ação foi proposta pelo Partido Novo, que questiona dispositivos da Lei 14.317/2022. A legenda argumenta que, embora a cobrança da taxa de fiscalização seja legítima, haveria desvio de finalidade, com utilização dos recursos para fins arrecadatórios em benefício do Tesouro Nacional.

Com a audiência, o STF busca aprofundar o entendimento sobre a estrutura, o orçamento e a efetividade da CVM, além de avaliar se há equilíbrio entre os valores arrecadados e os custos operacionais do órgão, ponto central da controvérsia.

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